O pano do escravo, a riqueza do senhor
Porque os panos também contam a História
Percorrer a mesma sequência, passagem a passagem, dos padrões dos panos d'obra bicho feitos por corpos escravos, desterrados numa terra inóspita, porém de mentes criativas e mãos hábeis.
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Destaque de padrões de panos d'obra bicho. |
O que tornaram estes panos tão almejados como forma de pagamento durante o comércio transatlântico de escravos? Documentos de então, mencionam os "lindos lavoures", feitos em "tão maus teares".
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Amostra de uma faixa de um pano d'obra bicho: verso e frente. No verso da amostra é possível identificar os saltos do fio da trama para a criação da estrela de oito pontas. |
Os padrões e o design são construídos com a utilização de simetrias variadas e replicação de motivos: a nossa visão é cativada por esta aliança entre a beleza criativa e a exploração de simetrias que dão estabilidade ao tecido.
Como explorar esta simbiose entre a criatividade e a simetria?
Repetir os padrões, passagem a passagem do fio da trama;
Reforçar o exercício mental de memorização da sequência, que é obtida pela simetria.
Deixarmo-nos conduzir pelos caminhos da memória e recriar, nos dias de hoje, os têxteis históricos da panaria cabo-verdiana como tributo àqueles que então o faziam para depois serem comerciados ao longo da costa ocidental africana.
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